quarta-feira, 5 de novembro de 2008

DEUS QUE VEM


Eis, é de novo Advento no ano da Vossa Igreja, Senhor. De novo rezamos as orações de saudade e de ansiosa espera, os cânticos da esperança e da promessa. Mas todas as misérias, todas as aspirações e todas as confiantes certezas se cristalizam nesta palavra: Vinde!

Estranha oração, já que Vós já viestes, estabelecendo a Vossa tenda no meio de nós, já que Vós partilhastes a nossa vida, com as suas pequenas alegrias, os seus longos dias cheios de mil cuidados e o seu amargo fim. Ao dirigir-Vos o nosso «Vinde», poderemos nós exigir mais da Vossa parte? Vós misturastes-Vos intimamente à nossa pobre vida, a ponto de se tornar quase impossível distinguir-Vos dos outros homens. Vós próprios Vos quisestes chamar Filho do Homem: poder-se-á imaginar uma vinda em que Vós estaríeis mais próximo de nós? Entretanto, nós rezamos: Vinde! Esta palavra sai do fundo do nosso coração; nós a repetimos tão sinceramente como os patriarcas, os reis e os profetas de outrora, que só viram o Vosso dia de longe e o abençoaram. O advento que celebramos será para nós um simples jogo sagrado ou uma realidade na qual estamos comprometidos? Vós já tereis vindo em toda a realidade? Vós tal como nós queremos, tal como Vos desejamos? Sereis Vós Aquele que há-de vir, o Deus forte, o Pai dos tempos futuros, o Príncipe da paz, a luz e a verdade, a eterna felicidade? A Vossa vinda foi anunciada desde as páginas da Sagrada Escritura, e contudo na última página à qual nada mais se poderá acrescentar, nós lemos a seguinte oração:

Vinde, Senhor Jesus!

Vós me declarais que já chegastes, em toda a realidade: o Vosso nome é Jesus, Filho de Maria; o lugar e o momento da Vossa vinda todos o conhecem. Perdoai-me, Senhor, mas eu preferia chamar a esta vinda uma passagem. Vós Vos velastes sob as aparências de servo; fostes em tudo semelhante a nós; entrando nas nossas fileiras como um Deus escondido, silencioso e sim brilho; caminhastes connosco que nunca paramos, porque para nós todo o caminho percorrido é um escalão, toda a chegada a um extremo é apenas uma nova partida para o último e definitivo fim da nossa vida. Apelamos para Vós porque desesperamos de nós próprios, sobretudo então quando com toda a sabedoria e tranquilidade decidimos contentar-nos com as nossas limitadas possibilidades.





Alfredo Vasconcelos, representante de E.M.R.C.

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